O dia em que o estresse deixou de ser problema.

July 12, 2017

 

Sabia que dá pra viver estressado sem que esse estresse vire gastrite, úlceras, problemas de pele, vontade de sumir, baixa autoestima? Melhor ainda, dá pra ser feliz por causa do estresse. (Pausa para o seu olhar cético.) É verdade, existe um estresse do bem.

 

No último sábado, saí de Viena em direção a Dublin para uma missão "estressante". Na conexão em Düsseldorf, tomando um café solitário enquanto fazia umas anotações, lembrei-me dos diferentes conceitos de estresse que eu havia lido meses atrás num dos livros de Timothy Ferriss.

 

Dei um google e fiquei contente ao notar que minha memória estava boa, me lembrei perfeitamente dos conceitos de estresse que Ferriss fala no livro. A satisfação maior veio quando eu constatei que a minha missão em Dublin não estava me deixando estressado, mas, sim, eustressado

 

Em The 4-Hour Work Week (Traduzido para o português como "Trabalhe Quatro Horas por Semana”) Ferriss fornece atalhos para você se tornar um mago da produtividade. A propósito, se você anda de bem com a sua zona de conforto, não leia nada que esse maluco escreve, ele sabe como incomodar. Entre as dicas, no livro, Ferriss sugere que a gente olhe com mais cuidado para nossas fontes de estresse. 

 

Em Dublin, pela primeira vez na minha vida-gringa eu faria um discurso para uma audiência bem maior do que as das mesas de bar, onde as pessoas geralmente fingem que entendem seu inglês quando você se embanana todo. Tratava-se de um workshop em que eu precisava, simplesmente, falar sobre mim mesmo. Fácil, não?

 

Não, eu tinha motivos pra ficar tenso. É relativamente difícil manter a eloquência quando não se fala na sua língua materna. A coisa fica pior se você tem um inglês que já era meia boca e agora anda mais prejudicado por conta de um imersivo aprendizado da língua alemã – outra coisa bem eustressante, diga-se. 

 

Mas quando eu notei que aquele “estresse” era, na verdade, uma baita barreira a ser vencida, um pico para se fincar uma bandeira, uma espécie de competição comigo mesmo, a preocupação começou a dar lugar a uma euforia gostosa. Em vez de nervoso, eu ficava mais e mais excitado com o desafio que se aproximava.

 

No último trecho do voo para Dublin, repassei pela primeira vez o que seria o meu discurso de quinze minutos. Deixei para fazer isso de última hora porque sempre que eu ensaio demais para uma apresentação, alguma coisa ruim acontece. Como eu já me conheço, umas duas lidas no script aos 45’ do segundo tempo resolveriam o problema. Deu certo.

 

O discurso rolou bacana, várias pessoas vieram falar comigo no final e tive feedbacks surpreendentemente positivos. E justamente por isso resolvi escrever este texto: para que, talvez, essa história ajude você a se lembrar de olhar para a sua fonte de estresse e tentar perceber se é um estresse positivo ou negativo; se ele vai levar você para algum lugar novo ou vai só deixar você mais pesado, lento, angustiado e sem vontade de ser melhor.

 

No livro, Ferriss define os dois tipos de estresse assim:

 

“Estresse (distress, em inglês) refere-se a estímulos prejudiciais que deixam você enfraquecido, menos confiante e menos capaz. Críticas destrutivas, chefes abusivos ou cair de cara no meio-fio são exemplos disso. São coisas que devemos evitar.

 

Eustresse (eustress, em inglês) é uma palavra pouco conhecida. Eu é um prefixo grego para “saudável” – é usado no mesmo sentido da palavra euforia. São modelos de comportamento que nos levam a exceder nossos limites, a sermos pessoas melhores, mais fortes e confiantes.”

 

Depois de entender estes conceitos, percebi que vale a pena procurar sarna pra se coçar. Porém, aconselho que se evite a sarna-crônica-negativa-auto-destrutiva. Essa não vale a pena. Analise o porquê, o por-quem,  e aonde seu estresse está conduzindo você.

 

E se, por acaso, estiver tudo bem e na maior calmaria, que tal procurar um eustresse? Só pra dar uma chacoalhada na vida e testar seus super poderes, vai.

 

 

Foto: unsplash.com/@mattisrad

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