Virei cidadão de uma nação sem território.

November 8, 2018

 

Essa nação se chama “Bom País”. Na verdade, The Good Country é o nome de um projeto que, segundo seus criadores, pode chegar a 760 milhões de adeptos (ou cidadãos).

 

Até o momento que este texto foi escrito, nós éramos pouco mais de dois mil. Digo "nós" porque eu acabei de me tornar um cidadão deste país que não tem passaporte, território e nem embaixada em lugar nenhum do mundo.

 

The Good Country foi oficialmente criado em setembro de 2018, mas se você fizer uma busca pelo projeto na internet (que é o único lugar onde o país existe) ou por seus criadores, Simon Anholt e Madeline Hung, vai descobrir que a ideia vem se desenvolvendo há pelo menos quatro anos.

 

 Foto: John Cobb

 

 

Foi Simon Anholt, um cara com experiência de mais de 20 anos na política internacional, que em 2015 fundou o Good Country Index -  um indicador que avalia por meio de diversos critérios quais países são os mais benéficos para a comunidade Global.

 

 

Ao que parece, o projeto acabou de dar o seu maior passo até agora. The Good Country se tornou um país. Ou pelo menos se diz assim. O que isso vai se tornar, de fato, só esperando pra ver.

 

 

The Good Country é uma nação virtual criada com o objetivo de influenciar o sistema de governo atuante no mundo. Temos hoje perto de duzentas nações no planeta, todas sendo governadas privilegiando, em grande medida, seus próprios interesses. The Good Country quer começar a mudar isso.

 

 

Questões migratórias, terrorismo, aquecimento global, desigualdade social, epidemias; se a política de um país voltada para quaisquer dessas questões tem um impacto global, porque os países visam apenas seus próprios interesses?

 

 

Os interesses de um país, quando voltados exclusivamente para dentro, e a competição em busca de poderio econômico já se mostrou ineficaz para a comunidade global, é o que diz os fundadores.

 

 

Mas eles também garantem que não se trata de altruísmo inocente ou desrespeito à história individual de cada país. É sobre começar a olhar para além das fronteiras. Precisamos colaborar mais.

 

 

O novo país virtual quer exercer influência sobre os governantes de todas as nações, oferecendo soluções que visam o bem-estar global, e não apenas local. De início, a ideia me pareceu utópica, devo admitir.

 

 

Mas foi justamente isso que me atraiu e me fez pagar cinco dólares como imposto anual e me tornar cidadão de uma nação sem fronteiras, bandeira, etnia, hino, patriotismo ou valores que privilegiam um único território.

 

 

Torna-se um cidadão é simples. Para se aplicar, você responde a um questionário sem muitas formalidades - mais com o intuito de checar se os seus valores batem minimamente com os do país. Em seguida, você diz que aceita fazer parte da “sociedade”, aceita os termos de privacidade, paga o imposto (apenas se quiser) e pronto.

 

 

À primeira vista, talvez você pense que se trata de um Avaaz, um GreenPeace ou outra ONG usando apenas nomenclaturas diferentes. Mas, no meu entender, The Good Country funciona um pouco diferente.

 

 

Explicando de forma bem resumida, o sistema deste novo país, que pretende influenciar positivamente o sistema de governança global, funciona assim:

 

 

1. Quando o “Bom País” identifica que alguma situação que está rolando em algum lugar do mundo possa interessar ao bem-estar da comunidade global, todos cidadãos do “Bom País” recebem um briefing para discutir sobre o assunto.

 

 

2. Depois, os cidadãos são convidados a enviar suas opiniões para o Good Country.

 

 

3. Uma inteligência artificial avalia qualitativamente as respostas de todos os cidadãos e mostra este “termômetro” de opiniões à comunidade. A partir daí, decide-se qual assunto e quais medidas podem ser pensadas para sugerir melhores condutas a respeito de cada assunto.

 

 

Eu ainda não recebi nenhum briefing do “governo”, mas o manual do cidadão (não existe esse termo, eu que inventei isso, ok?) diz que em breve algumas perguntas serão endereçadas a todos os cidadãos goodcountrianos (também acabei de inventar esse termo, não passa a diante porque isso ficou ruim :-)

 

 

Os fundadores estimam que ao menos 10% da população de cada país compartilhe de valores e ideais similares aos do The Good Country; por isso o número hipotético de 760 milhões de cidadãos - o que tornaria o país o terceiro mais populoso do mundo.

 

 

A ideia é que toda influência seja exercida por meio do exemplo, da educação, de soft power, da colaboração, da voz ativa dos cidadãos e também pelo poder econômico que essa nação sem fronteiras pode vir a ter.

 

 

Lendo sobre esta ideia e olhando para o estilo de vida que eu e minha esposa temos construído, uma vida em que tempo e mobilidade são os nossos principais ativos, vejo muito sentido na ideologia deste projeto.

 

 

Quanto mais lugares a gente conhece, mais nossa bagagem de recursos são reabastecidos para oferecer novidade, boas referências e histórias legais aos nossos clientes. E eles - os nossos clientes - também estão em várias partes do mundo.

 

 

Somos cada vez mais apaixonados por este planeta. Já percebemos que independentemente da origem, etnia ou do passaporte das pessoas, os medos e as crises são as mesmas.

 

 

Existe uma cultura supra territorial, uma cultura do ser humano. Fronteiras e limites territoriais fazem parte da nossa imaginação, de um jogo que topamos jogar dentro de um sistema que nos foi imposto sem opção de escolha.

 

 

No fim das contas, somos uma só massa em busca dos mesmos objetivos. Sentir-se parte da grande comunidade global e de ideias como esta está alinhado ao que esperamos do mundo e das pessoas: mais união, colaboração e menos fronteiras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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