E se você fosse a média dos seus grupos de WhatsApp?

November 16, 2018

 

 Foto: Pietro Jeng

 

 

Nós decidimos o que comer e o que beber. Temos poder de escolha a respeito do que vamos colocar para dentro de nós, para nos nutrir. Mas nem sempre a gente consegue escolher o que ver e ouvir; não temos total controle sobre o menu que vai alimentar a nossa mente.

 

Se isso não fez muito sentido para você, pergunte a alguém que participa de muitos grupos de WhatApp. Quanto maior e mais diverso o grupo, maiores as chances de se ler, ver ou ouvir alguma informação diferente do que você normalmente escolheria consumir.

 

 

 

Dias atrás, decidi deixar mais um grupo por conta de um conteúdo que não foi aprovado pelo meu filtro de bom senso. Abri o aplicativo pela manhã e ali estava uma cena que jamais eu usaria para alimentar meu cérebro e minhas emoções nas primeiras horas do dia.

 

 

 

Sair de um grupo assim me incomoda. Por mais que o conteúdo compartilhado tenha sido ofensivo pra mim, não me sinto bem depois que dou as costas para alguém sem pedir licença. Ao mesmo tempo, não posso me alimentar de imagens, textos e sons que não fazem parte do mundo que eu quero criar dentro de mim.

 

 

 

Esse meu episódio me fez refletir sobre dois conceitos que sempre abordo com meus clientes; conceitos muito difundidos entre profissionais de desenvolvimento humano.

 

 

O primeiro é que tudo o que você vê, fala e ouve cria o seu repertório de experiências neste mundo. E estas experiências (especialmente as coisas que você fala) influenciam na forma como o seu mundo funciona.

 

 

 

São como atualizações que a todo momento você faz no seu software. Atualizações que passam a operar em níveis subconscientes e em tempo integral, influenciando como você opera na vida.

 

 

 

Se você, por exemplo, passa a tarde assistindo Cidade Alerta (isso ainda existe?), ou jogando algum game de guerra, ou vendo vídeos de maus tratos a animais, ou repetindo para si mesmo que o ser humano vai de mau a pior, a percepção de mundo que você internaliza é a de um mundo violento, perigoso e cada vez mais difícil de melhorar.

 

 

 

Por entender, consciente ou inconscientemente, que você vive em mundo violento, você vai agir, se expressar e atuar como integrante de um mundo violento. Quanto mais você se alimenta de um “nutriente”, mais ele vai exercer influência sobre o seu modo de viver.

 

 

 

Minha sugestão: passe a compartilhar boas ideias e soluções em vez de problemas. Faça uma boa curadoria do conteúdo que você absorve e compartilha. Tente observar o resultado disso no seu dia a dia.

 

 

 

O segundo conceito vem de uma frase muito repetida (e meio controversa), mas que ainda faz algum sentido pra mim.

 

 

 

 

 

“Você é a média

 

das cinco pessoas

 

com quem mais

 

convive.”

 

 

 

 

Jim Rohn, autor, empresário, palestrante motivacional e o criador dessa frase, faleceu em 2009 - mesmo ano em que nascia o WhatsApp. Será que Rohn reformularia sua citação em tempos de grupos bombantes no Zapson?

 

 

 

Quando fui coachee pela primeira vez, houve um momento no início do processo de coaching em que eu precisei listar as cinco pessoas com as quais eu mais me relacionava. Coloquei os cinco nomes no papel de forma circular. No centro, estava o meu nome.

 

 

 

Lembro que aquilo não fez muito sentido pra mim. As pessoas com quem eu mais me relacionava naquele momento da vida não influenciavam quem eu era ou quem eu queria ser. Ou será que influenciavam e eu não estava percebendo?

 

 

Percebi que um dos motivos para a frase de Rohn soar controversa é uma possível perspectiva de interpretação: se a consideramos um statement sobre quem somos, ela pode não fazer sentido. Mas se a tomarmos como um estímulo para buscar relações que contribuam para nos tornamos quem queremos ser, ela faz mais sentido. Faz sentido? :)

 

 

Aqui entra outro motivo pelo qual a frase pode criar polêmica: a possível interpretação de que precisamos estar sempre em busca de relações que possam nos agregar algo, deixando de lado, por exemplo, amigos que decidiram por caminhos diferentes dos nossos.

 

 

Não seria muito saudável nos aproximarmos apenas de pessoas que possam contribuir conosco. Tenho aprendido que absolutamente todo ser humano tem algo valioso a ser compartilhado. (Desde que não seja uma piada homofóbica no século XXI ou um gemidão do zap no meio da reunião.)

 

 

Como eu posso ser um cara a fim de provocar transformações positivas no mundo se o mundo que eu alimento dentro de mim é negativo ou cheio de distrações sem sentido?

 

 

 

"Seja você a mudança

 

que deseja ver no mundo."

 

 

 

 

Recentemente, o WhatsApp anunciou a possibilidade de um novo recurso: o modo férias. Com esse recurso, você poderá silenciar os grupos sem que as notificações fiquem à mostra, roubando sua atenção ou energia toda vez que você abrir o app.

 

 

Se isso acontecer de fato, será uma solução para que pessoas como eu não precisem mais sair de grupos de maneira mal educada. Mas ainda acho uma solução paliativa.

 

Para fechar esse texto oferecendo outra solução além de silenciar ou tirar férias do grupo, sugiro o seguinte:

 

 

Analise os grupos que mais demandam seu tempo e sua energia. Avalie o modelo de mundo que este conteúdo pode estar perpetuando ou construindo em você.

 

 

Se fizer sentido para você, ótimo. Se não, como iniciar uma mudança? Minha sugestão é que você não repita o meu erro. Não dê as costas para o problema. Pense em soluções e as compartilhe.

 

 

Talvez, pelo simples fato de você compartilhar mais soluções do que problemas, mais ideias positivas do que negativas, o próprio grupo comece a mudar seu modo de agir. Tudo porque você iniciou uma mudança a partir de você.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Recent Posts

October 3, 2017

July 21, 2017

Please reload