Um sopro de relevância para tirar a mente do modo ordinário.

November 23, 2018

Foto: Timar Ivo Batis/TEDxVienna

 

Quando enviei a primeira versão do texto para Vlad Gozman, perguntei se poderíamos incluir a informação de que o TEDxVienna é um dos melhores TEDx do mundo.

 

A resposta dele veio em uma mensagem curta e acachapante. Um sopro de relevância para tirar a minha mente do modo ordinário.

 

Vlad é o fundador do TEDxVienna. Tive a oportunidade de cumprimentá-lo em março deste ano e trocar algumas palavras na primeira reunião do time de comunicação, o qual eu fazia parte há apenas duas semanas.

 

Conversamos bastante naquela noite. Éramos cerca de 10 pessoas, incluindo o time de redes sociais, que também estava presente. Na ocasião, estávamos na Screenagers - uma agência digital aqui de Viena, parceira do evento. A reunião foi próxima à copa, em um lugar meio sala de reuniões, meio refeitório.

 

Geladeiras com cerveja e muito Red Bull (por ser uma marca austríaca, é fácil encontrar o energético gratuitamente em vários lugares), máquinas de café, petiscos sobre a mesa e troféus de festivais de publicidade nas prateleiras ambientavam a reunião.

 

Entre curiosidades e casos sobre as edições passadas, piadas e trocadilhos infames sempre bem colocados, Vlad se mostrava cada vez mais a cara de um evento TEDx. Em meio às boas histórias, ele nos contou que o TEDxVienna é um dos mais bem ranqueados do universo TEDx.

 

Uma curiosidade que muita gente não sabe (e eu também não sabia) é que TED e TEDx são conferências diferentes. O “x” significa que o evento é independente, como se fosse uma franquia que precisa prestar contas ao TED e seguir diretrizes rigorosas para ser realizado.

 

 

X = Independently organized TED event.

 

Depois que todo evento TEDx termina, o público participa de uma pesquisa de satisfação. O resultado dessa pesquisa é submetido ao licenciador. Se o evento não cumprir com os requisitos mínimos de qualidade, o afiliado pode perder sua licença.

 

A avaliação do evento vienense é sempre tão boa, que o colocou entre os melhores do mundo. Vlad nunca falou isso de forma oficial, mas pelo que eu entendi (e isso é apenas uma dedução minha), trata-se de um top 10.

 

(Como eu não tenho certeza sobre esse dado, vamos nos limitar a dizer que o TEDxVienna é top. Ou topzêra. Sem posição em ranking, ok?)

 

Nas semanas seguintes à reunião, recebi meu primeiro job – reescrever e repaginar um media kit que já vinha sendo usado há pelo menos 5 anos. Depois de alguns mini ataques cardíacos e uma desinteria psicológica, consegui entregar a primeira versão do texto.

 

Enviei o arquivo e fiquei com a sensação de que o texto não estava bom. Minha intuição não costuma falhar nesses casos. Resolvi ouvi-la e escrevi tudo de novo.

 

Até então, eu estava em contato com a coordenadora de comunicação que tinha me entrevistado e me colocado pra dentro do time. Pedi autorização a ela para falar diretamente com Vlad para coletar informações e reescrever o texto.

 

Nesse ponto eu comecei a entender, na prática, o sentido de um conceito que eu só conhecia na teoria: a hierarquia horizontal. Aurora respondeu dizendo que o projeto era meu e que eu decidia a melhor forma de finalizá-lo.

 

Meu único contato com o universo TEDx até então tinha sido por YouTube e por uma participação presencial no TEDxAtenas.

 

Não posso dizer como outros TEDx no mundo funcionam, mas, sobre Viena, desde a concepção do tema anual (que acontece sempre no início do ano em uma reunião com todos os times) até a entrega final do evento, todo o trabalho é 100% colaborativo e decidido em conjunto.

 

Ninguém chega pra você e diz “é assim” ou "faça desse jeito". Tudo é discutido e sempre com muito design thinking no lance.

 

Mandei um rascunho do texto novo para o Vlad e perguntei se ele poderia me informar alguns números e a posição oficial no ranking que classificava os melhores TEDx no mundo.

 

Disse a ele que eu achava interessante colocar isso no texto de introdução do media kit. Afinal de contas, se você está entre os melhores do mundo, é bom que se propague isso no megafone – articulava meu mindset ordinário.

 

Eu tinha certeza que os jornalistas austríacos ficariam felizes em saber que um evento "deles" era tão bem avaliado no mundo, e que um senso nacionalista os faria publicar notas e mais notas, matérias em todos os jornais, revistas e portais da Áustria.

 

Eu já estava me achando um gênio, pensando "como esse pessoal não pensou nisso antes"? Como pode um dado tão importante, uma notícia tão valiosa nunca ter sido capitalizada para tornar o TEDxVienna ainda mais comentado na Europa ou mundo afora?

 

A resposta de Vlad chegou em menos de dois minutos:

 

“Eu não diria isso. Não queremos estimular uma competição entre eventos TEDx. Existem pequenos eventos no mundo, como em favelas na África, por exemplo, que geram impactos imensuráveis para suas comunidades. É muito difícil quantificar ou comparar os efeitos desses eventos na vida das pessoas.”

 

Vou tentar ilustrar aqui o meu processo mental no momento em que li a mensagem:

Pega uma das cenas de Limitless, em que o personagem de Bradey Cooper processa um punhado de informação ao mesmo tempo e entende um lance complexo fazendo várias conexões.

 

Pega a música “O Vencedor” do Los Hermanos.

 

Pega o conceito do livro "Small Giants" (livro pra quem quer ser relevante em vez de ser grande).

 

Pega algumas das falas do Eduardo Marinho.

 

Essas e muitas outras referências vieram à minha mente num fracionésimo de segundo. É o famoso mind blowing. Um mind blowing que eu preferi chamar aqui de sopro de relevância.

 

O TEDxVienna 2018 passou. O tema que definimos para este ano foi Simplexity, para abordar assuntos que trazem consigo a simplicidade e a complexidade sob diferentes óticas, assuntos de grande relevância para a humanidade (em breve os vídeos entram no YouTube).

 

O evento trouxe ao palco do Volkstheater nomes do mundo inteiro, abordando temas de fazer chorar e fazer rir, histórias de arrepiar, sopros de relevância um atrás do outro. Como a história de Tony Giles (foto de capa), um cara totalmente cego e 80% surdo, que conhece mais de 150 países nos 7 continentes.

 

Todos os palestrantes que sobem aos palcos TED e TEDx têm temas relevantes para compartilhar. Essa é a marca do evento. É claro que o que é relevante pra mim, pode não ser para outra pessoa. Relevância é subjetivo e discutível.

 

Mas, pra mim, uma coisa que não dá mais pra discutir hoje em dia é que ser relevante é muito melhor do que lutar para ser melhor. Competir é ordinário. Colaborar é topzêra.

 

Tradicional momento que encerra todas as edições TEDxVienna. Foto por Gavin Gough.

 

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