Tem limite que é melhor quebrado

September 3, 2020

– “Você é um otimista, isso ajuda.“ - disse um enfermeiro austríaco.

 

Não me vejo como um otimista. Ao contrário, esbarro no pessimismo para ficar pertinho da realidade. Mesmo achando que a realidade é uma onda bem particular.

 

O que ajuda é tentar sempre ser melhor do que pareço. Isso eu faço mesmo, não é otimismo.

 

É uma vontade de parecer mais do que se é. É um desejo que pode até ser perigoso, mas é o que tem me feito ir além do esperado.

 

Tentar parecer melhor do que eu me sinto já me colocou em muitos apuros.

 

Tatiana foi um desses apuros.

 

Ela foi minha primeira experiência profissional depois de quase bater as botas.

 

Para entregar o trabalho, usei um dos maiores aprendizados que a vida pós-AVC me trouxe: virei um neurocirurgião na arte de pedir ajuda.

 

 

 

Ela já sabia bem o que precisava quando me convidou para fazer sua empresa existir.

 

Para ela, faltava logomarca e site, apenas.

 

Eu não consegui montar nem sequer a proposta com o orçamento.

 

Com um PDF de duas páginas eu dei preço e a chamei para um papo na minha casa.

 

Eu me daria tapinhas elogiosos por ter ganho um trabalho tão importante com um PDF de duas páginas.

 

Tatiana veio e com ela veio minha primeira frustração: a cadeira de rodas não entrava onde seria a reunião.

 

Photo by Austrian National Library on Unsplash

 

 

O pedido da Tati não estava fazendo sentido pra mim.

 

Ela já tinha uma agenda com fila de espera e clientes indicando novos clientes.

 

Por que “esfriar” a relação com os clientes criando uma empresa?

 

O negócio de aulas particulares, traduções e consultoria linguística para empresas já era um negócio de sucesso porque ela é o negócio.

 

Até tentei dissuadi-la, mas acabei me acostumando com a ideia de criar uma consultoria linguística - que era como ela classificava o negócio.

 

A maneira como eu me comporto diante das sequelas do meu AVC me ajudaram a entender o desejo da Tati.

 

A vontade de aparentar-me bem tem me feito evoluir. Meu otimismo, mesmo que por vezes encenado, é o que me faz seguir em busca da melhora.

 

Quem seguiria com o registro de uma empresa no meio de uma pandemia global?

 

Quem toparia criar um logotipo e um site sem coordenação motora e com a visão debilitada?

 

Eu e a Tati nos encontramos caoticamente, no sentido mais literal da palavra.

 

Entendi que a Mundus (empresa que agora existe) era uma vontade de ser mais do que se está.

 

Acho que isso é intrínseco ao ser humano, mas há seres humanos que precisam materializar o desejo.

 

Costuma-se dizer que são empreendedores, otimistas, ambiciosos. O adjetivo é só um nome. O que conta mesmo é a atitude.

 

O meu modo de materializar é um, o da Tatiana é outro. Sou grato pela interseção dos nossos meios de agir em meio ao caos.

 

Entendi que o meu desafio era criar a empresa sem que isso criasse o risco de prejuízo à imagem que os alunos tinham da Tati.

 

Ela topou a aposta - típico de otimistas:

 

sugeri que ela fosse mais que professora e fundadora da Mundus-LC (observe que agora há um LC no nome).

 

Agora, ela seria também a “cara” da empresa - como sempre foi, porém, com uma comunicação profissa.

 

essa é a Tati, que eu gostei muito de conhecer :)

 

Por várias vezes, minhas limitações me fizeram acreditar que eu não seria capaz de entregar o trabalho. Como aconteceu com a proposta de 2 páginas.

 

Que ironia, minha primeira cliente me trouxe a Mundus-LC e me ajudou a entender que ainda posso ser útil nesse mundo.

 

Bem-vinda ao mundo, Mundus-LC!

 

Obrigado, Tatiana!

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