Erra quem finge que não erra.

Vira e mexe, eu revisito escritos velhos. É para ver se o meu estilo mudou, se a forma de pensar mudou, se vida mudou, se o mundo mudou.


Geralmente, pouco mudou.


Ler velhos escritos acaba sendo como ouvir o próprio áudio de WhatsApp: inútil, mas bom.

Fiz isso ontem e fiquei triste quando ouvi minha própria voz ao ler um texto; o último deles.

Encontrei palavras que, apesar de recém escritas, já são ultrapassadas e não combinariam com a minha voz.

São brincadeiras que não têm graça. É como fazer piada com cor de pele sendo branco.

Ora, piada com cor de pele só funciona em rodas de uma cor só. O mundo não é assim.


Reconhecer um erro e aceitar o erro é tão revigorante. É tão legal quanto ouvir o próprio áudio.

Aceitar uma falha e aprender com ela não deveria ser coisa só de gente que relê os próprios escritos.


Mudar a forma de pensar e agir deveria ser tão corriqueiro quanto abrir os olhos depois de uma noite de sono, trocar de roupa pela manhã, lavar o hálito dormido.

Assumir uma personalidade imutável é assumir-se arrogante. Talvez, seja fácil dizer esse tipo de coisa quando se vive uma realidade feito a minha, em que tudo mudou num fechar de olhos.

Adormeci e acordei outro. E assim tem sido: sendo outro a cada vez que os olhos abrem depois de muito tempo fechados.




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