Onde não morou o medo.


Hoje eu acordei com uma vontade de voltar pra ontem.


Impossível acontecer.


Mas de tão verdadeira que foi a vontade, ela virou mensagem no grupo.

Um sentimento compartilhado sem que todos necessariamente compartilhassem do mesmo sentimento.


Compartilhei porque ando meio sentimento frouxo, meio à flor da pele. Meio sem medo.

Essa falta de medo deve ser de tanto cair no chão.


Meu lugar favorito tem sido o chão, a propósito.

Nem é de tanto cair, é de ficar no chão, mesmo.


É onde não corro riscos.


É onde vivo a verdadeira estabilidade que a vida demanda.

Fiquei um pouco preocupado com os amigos se sentando no chão, à minha volta.


Bastaram uns tragos e a preocupação virou lisonjeio: “que bom que eles gostam de estar aqui. Que bom que não se importam em estar no chão. Que bom que se importam comigo.”

Eu testei o CBD para amenizar minhas dores. São “dores neurológicas” - uma nomenclatura que parece errada, mas é como eu me faço entender diante de uma dor que eu não consigo explicar.


Até que funcionou, mas é muito caro: €130,00 durava só 10 dias com, 30 gotinhas ao dia.

Com THC saiu bem mais em conta. O CBD é legalizado na Áustria, o THC, não. Em outras palavras, você pode fumar, só não pode ter onda.


Mesmo assim, ganhei 3,0 g de aniversário. Ganhei também um enrolador e um moedor, ambos de altíssimo nível.


Um kit-relaxation que dispensa o uso de uma das mãos.

Ontem à noite juntamos amigos para jogar conversa fora e estreiar os presentes. Rimos muito.


Rimos de doer a barriga. Rimos de chorar. Rimos como eu não ria desde antes desse AVC sem-graça.


Por isso, hoje eu acordei com vontade de voltar pra ontem.

Não só para esquecer a dor.

Não só pra rir à toa.


Nem só pra sentir mais estabilidade.


É que, por um momento, pareceu que ninguém sentia dor ou medo.


Photo by GRAS GRÜN on Unsplash


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