Post de inauguração. Satisfação garantida ou o seu tempo de volta.

March 8, 2017

Imagine chegar ao fim de um relacionamento vazio, de um livro ruim, de um filme chato e poder recuperar ao menos parte do tempo perdido. Imagine pedir demissão e, antes de dar as costas, dizer ao seu chefe "esquece o FGTS, eu só quero meu tempo de volta."

 

“Tempo é dinheiro” é uma das maiores perversões que o ser humano já criou. Se ele traz felicidade ou não até dá pra discutir, mas rebobinar a fita da vida, isso nenhum dinheiro faz. Ou seja, tempo é tempo, dinheiro é dinheiro. Vamos parar de confundir isso aí.

 

Faz tempo que eu desejo criar um espaço como este. Demorei porque eu queria algo que valesse o nosso tempo, o meu e o seu. Ainda não decidi pela cara ou formato exatos, só decidi que ele precisa ser simples e leve para falar com pessoas idem e idem. Ou com quem esteja em busca de uma vida assim.

 

Percebi que não há momento melhor para colocar essa ideia no mundo - o período mais importante da minha vida até aqui, o tempo que eu tirei para prestar atenção ao que me encanta de verdade. Se faz sentido pra mim, pode ser que também faça para mais alguém. E, se faz sentido, vale o tempo.

 

A história começa quando eu me mudo para a Áustria para viver com a pessoa mais especial que eu já conheci - a Giovana, minha esposa. Na verdade, essa história começa bem antes, mas foi aqui que ela começou a ganhar forma. Por mais que a distância percorrida tenha cruzado hemisférios, a maior transformação não foi geográfica e nem dá pra ser medida. Ela vem rolando aqui, ó. Aqui dentro.

 

Quando cheguei em Viena, encontrei uma cidade assustadoramente calma e organizada. Bem diferente do que ficou para trás: um apartamento na rua Augusta e um cargo de redator na Vila Madalena. A tão sonhada e movimentada vida de publicitário paulistano tinha ficado para trás. Muito mais coisas ficaram, na real.

 

 

Em Viena, enquanto a Giovana seguia sua rotina de trabalho, passei a ter os dias só pra mim, dias em que a rotina se resumia em ocupar meu tempo comigo mesmo, na inspiradora tranquilidade dos parques - lindos no verão, no profundo silêncio da casa vazia, na austeridade branca do inverno austríaco. Tudo isso com uma única companhia: a minha mente falastrona e acelerada.

 

Aos poucos, fui desacelerando. Comecei a meditar e prestar atenção em sentimentos que, no meio do fuzuê, a gente finge que não sente - aquelas vozes chatas que dizem coisas chatas de se ouvir. Resultado: o lugar por várias vezes considerado um dos melhores do mundo para se viver ganhou ares de purgatório.

 

Dizem que a vida é o próprio purgatório, que o sofrimento é inerente à existência humana. Mas minhas percepções dentro do silêncio, fora da bolha que eu vivia, estão me mostrando perspectivas bem mais simpáticas e otimistas. E isso não tem nada a ver com o lugar, agora eu estou falando é de mindset.

 

Comecei a ver a vida como uma oportunidade para que a gente possa se perceber melhor, se conhecer e tentar entender um pouco mais sobre a própria existência, deixar um legado menos egocêntrico do que fazer filho, escrever livro, gerar riqueza e patrimônio. Precisamos ser bem melhores que isso.

 

Nós assumimos uma espécie de posto de liderança do planeta, de superiores, como se tudo nesse lugar tivesse que funcionar em torno de nós. Nos achamos tão evoluídos, mas é fácil achar provas de que estamos num sentido contrário ao que qualquer ser vivo que se autointitula inteligente estaria caminhando.

 

Há quem passe a vida sem saber que dava pra ser melhor. Há quem descubra e morra tentando (o que já merece aí uma salva de palmas). E tem aqueles que "hackearam" a própria existência, que vivem em equilíbrio, com propósito, que conhecem bem a si mesmos.

 

Ainda não sei aonde dá pra chegar, mas do jeito que está não pode ficar, dá pra melhorar bem. Precisamos de mais autoconhecimento e menos desse saber automático, que vai chegando e a gente vai engolindo e depois precisa de médico para saber o que há de errado. E esses questionamentos têm que acontecer agora. Essa é a única forma de melhorar o futuro - corrigindo o agora.

 

O Soul Beta é pra falar de aprendizados, ideias, insights para sermos melhores. Se na busca pelo seu aprimoramento você conseguir que ao menos mais uma pessoa faça o mesmo, temos mais chances de ficar bem lá na frente. Espero que você goste e que, sempre que você passar por aqui, valha o seu tempo. Até porque, não consigo devolvê-lo.

 

Daqui a pouquinho tem post novo ;-)

 

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